Testosterona baixa: caso de Zé Felipe levanta debate sobre reposição hormonal

Testosterona baixa: caso de Zé Felipe levanta debate sobre reposição hormonal
Especialistas explicam sintomas, indicam confirmação com duas medições e alertam que tratamento indevido pode causar infertilidade e outros efeitos adversos.
O cantor Zé Felipe contou recentemente nas redes sociais que, após alguns exames, descobriu que estava com testosterona baixa e usou um chip hormonal para tratar a condição. O g1 ouviu especialistas para explicar os sintomas da testosterona baixa, como e quando ela deve ser reposta e os riscos do uso abusivo do hormônio.
Ao explicar o ocorrido, Zé Felipe afirmou que seu cortisol estava alto por causa de sono errado e a testosterona baixou. Ele contou ainda que, após usar um chip hormonal, começou a ter mais disposição e “vontade de viver”.
Apesar de os homens continuarem a produzir espermatozoides até cerca de 90 anos de idade, os níveis de testosterona podem começar a cair progressivamente a partir dos 30 a 40 anos, em média.
A queda é de cerca de 1,2% ao ano na testosterona total, mas muitos homens mantêm níveis normais ao longo da vida, explica o coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Gustavo Marquesine Paul.
Estudos recentes indicam que o que mais influencia a queda não é apenas a idade, mas sim fatores como:
Obesidade
Sedentarismo
Má qualidade do sono
Estresse crônico
Doenças metabólicas
Os sinais da queda de testosterona em homens
Os sintomas da queda de testosterona em homens podem ser variados e muitas vezes inespecíficos, mas os principais são:
Sintomas sexuais: redução da libido, disfunção erétil, diminuição da frequência de ereções matinais
Sintomas físicos: fadiga e baixa energia; perda de massa muscular; aumento de gordura corporal e redução de força
Sintomas cognitivos e emocionais: desânimo; irritabilidade; dificuldade de concentração e queda na motivação
Outros sinais possíveis: osteopenia (redução da densidade mineral óssea); osteoporose; anemia; redução de pelos corporais.
ATENÇÃO: Esses sintomas não são exclusivos da baixa testosterona e podem estar relacionados a outras condições, como depressão, distúrbios do sono ou doenças crônicas, pondera Paul.
Como deve ser a dosagem da testosterona? É necessário repetir o exame?
A dosagem da testosterona deve ser feita preferencialmente pela manhã, entre 7h e 10h, quando os níveis hormonais estão mais elevados e estáveis. Além disso, é fundamental que o paciente esteja em condições adequadas: evitar privação de sono, preferencialmente em jejum.
O resultado do exame precisa ser confirmado. As principais diretrizes internacionais recomendam que a testosterona baixa seja confirmada com pelo menos duas dosagens em dias diferentes. Isso porque os níveis hormonais podem variar de forma significativa ao longo do dia e existem fatores transitórios. Em alguns casos, pode ser necessário complementar com: testosterona livre; SHBG, LH e prolactina, explica Paul.
Quando a testosterona deve ser prescrita
O médico destaca que a testosterona em níveis elevados não é sinônimo de saúde. O objetivo do tratamento é normalizar os níveis, e não elevá-los acima do fisiológico.
“O uso de testosterona em homens com níveis normais não traz benefícios comprovados e pode causar riscos importantes, como infertilidade, redução da produção natural de testosterona, alterações de humor e dependência”, afirma.
Além disso, a reposição de testosterona não deve ser iniciada sem avaliação médica adequada, especialmente em homens com desejo reprodutivo, já que pode comprometer a fertilidade, acrescenta o médico.
O urologista da SBU Fernando Facio acrescenta que os urologistas só prescrevem a testosterona se o paciente tiver queixas de função sexual, como perda de libido e dificuldade de ereção, e nível de testosterona fora da faixa da normalidade.
Os pacientes que não têm a quantidade mínima de testosterona e sintomas do Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) são chamados de hipogonádicos.
Mas, em homens com deficiência de testosterona que têm entre 45 e 50 anos de idade e ainda pretendem ter filhos, é preferível usar uma medicação chamada citrato de clomifeno, que estimula o testículo a produzir a testosterona a partir da gordura queimada. Dessa forma, o paciente melhora os níveis de testosterona sem alterar a chance de ser fértil.
O testículo é uma glândula que, quando entende que está entrando testosterona exógena (que não foi produzida pelo corpo), para de trabalhar.
“As pessoas acham que a testosterona resolve tudo, mas nós só a prescrevemos se tiver nível baixo, fora da faixa de normalidade. A atividade física e a alimentação adequadas podem retardar os sintomas do DAEM, mas ele é inevitável”, destaca Facio.
acientes com glóbulos vermelhos aumentados também devem evitar a reposição com testosterona.
Como é feita a reposição de testosterona
Especialistas explicam que a reposição de testosterona pode ser feita por meio de:
utilização de gel de testosterona, em que o paciente aplica o gel todos os dias
ou de forma injetável: as injeções disponíveis no Brasil são aplicadas geralmente de forma intramuscular, a cada 15 dias, em média, ou intramuscular, a cada três meses, em média.
Os chips são palets de testosterona e também são boas opções de terapia de reposição, mas no Brasil ainda não há palets industriais, apenas palets de testosterona de farmácias de manipulação, pondera Paul.
Os riscos do uso abusivo da testosterona
As contraindicações para o uso sem necessidade e para o uso abusivo da testosterona são:
Hipertrofia da musculatura cardíaca
Alteração hepática
Acne
Queda de cabelo
Infertilidade na faixa entre 40 e 55 anos de idade
Piora do câncer de próstata ou de mama em pacientes com a doença
“A testosterona não dá câncer de próstata. Mas em pacientes com câncer de próstata eu não posso dar testosterona”, explica Facio.
Alguns estudos demonstram que cerca de 20% dos homens após os 40 anos terão uma queda da testosterona. Mas estudos clássicos demonstram que a queda da testosterona juntamente com os sintomas do hipogonadismo está presente em uma parcela de 6 a 12% dos homens entre 40 e 69 anos.
Um grande estudo europeu demonstra que cerca de 2% dos homens apresentam baixa de testosterona e sintomas do DAEM, entre 40 e 79 anos. Esse mesmo estudo mostrou que apenas a baixa dos níveis hormonais, sem os sintomas do DAEM, é encontrada em cerca de 23% dos homens após os 40 anos de idade.
O que Zé Felipe afirmou nas redes
Zé Felipe é cantor e compositor de música sertaneja e filho do renomado cantor Leonardo. Ele foi casado com a influenciadora digital Virgínia Fonseca, com quem teve três filhos (Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo).
Ao explicar a baixa da testorterona, Zé Felipe afirmou: “Esses dias fiz uns exames: cortisol alto por causa de sono errado, testosterona baixou e o cara nem tchum. O bicho fica sem reação, fica todo inofensivo. Acho que esse trem meu estava falhado desde os meus 20 anos. Porque eu estava vendo que eu estava meio… ‘ah, deixa pra lá’. Eu nunca fui assim, sempre fui bocudo”, brincou.
Ele contou ainda que, após usar um chip hormonal, ele começou a ter mais disposição e “vontade de viver”: “Meti um chip de testosterona e eu tô é pronto. Bom, viu. Fora a energia, gás, vontade de viver, vontade de proteger quem você ama, de sair correndo no meio da rua gritando”.









