Coro da Osesp celebra a diversidade da música coral brasileira em concerto na Estação Motiva Cultural

Coro da Osesp celebra a diversidade da música coral brasileira em concerto na Estação Motiva Cultural
Sob regência de Kaique Stumpf e com participação do Coro Infantil da Osesp, programa
reúne obras de importantes compositores brasileiros dos séculos XX e XXI
O Coro da Osesp, corpo artístico da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, sobe ao palco da Estação Motiva Cultural no dia 11 de outubro, para apresentar Brasil entre o céu e a terra. Com regência de Kaique Stumpf e participação do Coro Infantil da Osesp, o concerto celebra a diversidade da música coral brasileira por meio de obras que dialogam com a fé, os rituais populares, as tradições afro-brasileiras e a produção contemporânea do país.
O programa propõe uma viagem pela riqueza da produção coral nacional, revelando como diferentes influências culturais e religiosas contribuíram para a formação de uma linguagem musical singular. Das procissões católicas aos cânticos de matriz africana, passando por referências literárias e manifestações populares, as obras apresentadas refletem a pluralidade de vozes que compõem a identidade brasileira.
Entre os destaques está Romaria, de Osvaldo Lacerda, inspirada em poema de Carlos Drummond de Andrade e marcada por imagens sonoras que evocam os sinos, os fiéis e a atmosfera das tradicionais peregrinações religiosas do país. Já a Missa breve sobre ritmos populares brasileiros, de Aylton Escobar, aproxima a liturgia católica do universo popular ao combinar os textos tradicionais da missa em latim com gêneros musicais brasileiros como modinha, toada e acalanto.
O concerto inclui ainda a expressiva Ave Maria, de Claudio Santoro, que combina clareza textual e harmonias sofisticadas; Procissão da chuva, de Cacilda Borges, emocionante apelo coletivo inspirado pela espera da chuva; e Procissão de cinzas em Pernambuco, de Dinorá de Carvalho, obra baseada em texto de Gregório de Mattos que dialoga com a tradição polifônica barroca.
Representando a produção contemporânea, M’ükulu, de Filipe de Matos Rocha, promove um encontro entre tempos, culturas e religiosidades ao combinar textos bíblicos com a língua kimbundu. Já as tradições afro-brasileiras ganham destaque em Jubiabá e Ponto de Oxum-Iemanjá, de Carlos Alberto Pinto Fonseca, compositor cuja trajetória esteve profundamente ligada ao canto coral e à valorização das heranças culturais brasileiras.
Encerrando a apresentação, Preamar, de João Guilherme Ripper, reúne coro adulto e coro infantil em uma narrativa poética sobre a vida dos pescadores e a relação do homem com o mar. A obra fecha o programa reforçando temas que atravessam todo o concerto: a espiritualidade, a memória coletiva e os múltiplos encontros culturais que moldam a música brasileira.